
De novo? Sim, de novo.
24 de setembro de 2026Solidariedade, movimento e participação: o que uma Olimpíada pode ensinar às crianças?
Quando pensamos em uma Olimpíada, logo imaginamos movimento, desafios, equipes e muita participação.
Na Olimpíada do Voluntariado — OVO, tudo isso ganha um significado a mais: o espírito esportivo encontra a solidariedade.
A iniciativa mobiliza a comunidade para arrecadar doações destinadas a instituições que desenvolvem importantes trabalhos sociais, entre elas a Lar Maria de Lurdes, a Associação Vicente Moretti, o Amparo Thereza Cristina,
o Hemorio e o Lar Anália Franco.
Para a Sonho Encantado, participar de uma ação como essa também é uma oportunidade educativa.
Solidariedade se aprende vivendo
Na primeira infância, conceitos como solidariedade, cooperação e responsabilidade social ainda são muito abstratos quando apresentados apenas por meio de palavras.
Eles começam a ganhar significado nas experiências cotidianas.
Uma criança percebe o cuidado quando é cuidada. Aprende a compartilhar quando vive situações de partilha. Entende a cooperação quando precisa construir alguma coisa junto com outras crianças.
E começa a compreender a solidariedade quando percebe que as pessoas ao seu redor também se preocupam com quem está além do seu círculo mais próximo.
Por isso, uma campanha de doação pode representar muito mais do que os objetos arrecadados.
Quando as crianças acompanham suas famílias separando uma contribuição, conversam sobre por que determinado item está sendo doado ou percebem a escola inteira mobilizada em torno de uma causa, começam a construir uma ideia muito importante:
nós fazemos parte de uma comunidade e nossas atitudes podem afetar positivamente a vida de outras pessoas.
O exemplo dos adultos também educa
Na infância, muito do que se aprende sobre as relações humanas nasce da observação.
Por isso, a participação das famílias é tão importante.
Quando família e escola se envolvem juntas em uma iniciativa solidária, a mensagem transmitida às crianças não está apenas no que dizemos, mas principalmente no que fazemos.
A solidariedade deixa de ser um conceito e se transforma em atitude.
Também por isso é importante que ações desse tipo sejam vividas com naturalidade, respeito e cuidado, evitando apresentar quem recebe uma doação apenas a partir da falta ou da necessidade.
Mais importante do que ensinar a criança a “ajudar quem precisa” é ajudá-la a perceber que vivemos em uma sociedade formada por pessoas diferentes, com realidades diferentes, e que cuidado, respeito, cooperação e responsabilidade pelo outro fazem parte da vida coletiva.
E onde entra o esporte?
Movimentar-se é uma das formas fundamentais pelas quais a criança pequena conhece a si mesma, o outro e o mundo.
Correr, saltar, equilibrar-se, experimentar desafios, brincar em grupo, esperar sua vez e combinar regras são experiências que envolvem muito mais do que desenvolvimento motor.
Envolvem convivência.
Em propostas esportivas adequadas à Educação Infantil, o mais importante não é formar pequenos competidores. É proporcionar experiências corporais prazerosas nas quais as crianças possam descobrir possibilidades, enfrentar pequenos desafios, brincar juntas e aprender a participar.
Quando associamos esse espírito à solidariedade, surge uma combinação especialmente interessante:
movimentar o corpo e, ao mesmo tempo, movimentar a comunidade.
A Olimpíada ganha, assim, outro significado. Não se trata apenas de chegar primeiro.
Trata-se de descobrir o quanto podemos realizar quando fazemos alguma coisa juntos.
Escola e família: uma comunidade que educa
A educação de uma criança não acontece somente dentro da sala.
Ela acontece nas relações que estabelece, nos exemplos que encontra, nas experiências que vive e na maneira como percebe os adultos agindo no mundo.
É por isso que a participação das famílias na Olimpíada do Voluntariado é tão importante.
Cada contribuição ajuda as instituições beneficiadas pela campanha. Mas a mobilização também deixa outra contribuição, menos visível e igualmente valiosa: mostra às crianças que fazer parte de uma comunidade significa também participar, cooperar e cuidar.
Talvez elas ainda sejam pequenas para compreender toda a dimensão de uma ação social.
Mas não são pequenas demais para aprender, pelo exemplo, que podemos fazer alguma coisa pelo outro.
E essa talvez seja uma das medalhas mais importantes que podemos levar para a vida.




Quer saber mais?
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) coloca as interações e as brincadeiras como eixos estruturantes da Educação Infantil e estabelece, entre os direitos de aprendizagem, conviver, brincar e participar. No campo de experiências “O eu, o outro e o nós”, aparecem ainda objetivos relacionados ao cuidado, à solidariedade, à participação e à cooperação.
Os materiais do UNICEF Brasil também destacam a importância da participação das crianças na vida da comunidade, respeitando cada etapa de seu desenvolvimento, e do envolvimento da comunidade escolar na construção das experiências educativas.
Já estudos sobre corpo e movimento na Educação Infantil reforçam que as experiências corporais não se restringem ao desenvolvimento motor: elas também envolvem expressão, relações sociais, brincadeira e construção da identidade.
Referências para aprofundamento
• Base Nacional Comum Curricular — Educação Infantil, Ministério da Educação.
• UNICEF Brasil — materiais sobre participação, comunidade e Educação Infantil.
• UNICEF/MEC — Indicadores da Qualidade na Educação Infantil.
• GARANHANI, Marynelma Camargo e estudos sobre corpo e movimento na Educação Infantil.




